segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O olho do Corvo



Asas negras bico carvão

Linhas ácidas escreve…

Por entre a vida num rasgão

Num sussurro breve


Pena escura como o fado previsto

Se não o vêem cheirem a morte

Olhem seus olhos, vejam isto!


Cheira a putrefacção…

Mas não é morte…é meu coração

O coração do corvo doente

De bico lâmina quente!

E de asa sem paixão


Rasgo a vida então…

Rasgo a minha, porém vossa!

Não sabeis…mas também não fazeis mossa

Pois essa vida que levais findará…

Ás garras do corvo que aqui está…


Por isso não tenteis contornar o inevitável…

Morrei como tudo morre…

Não lutes, oh saudável!

Desfruta e vê como teu sangue escorre…


E eu cá me resigno a pousar nas campas

Indo buscar onde é costume as dores tantas…

Na tigela de onde sorvo…
O olho do corvo


Lúcifer.

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