
Asas negras bico carvão
Linhas ácidas escreve…
Por entre a vida num rasgão
Num sussurro breve
Pena escura como o fado previsto
Se não o vêem cheirem a morte
Olhem seus olhos, vejam isto!
Cheira a putrefacção…
Mas não é morte…é meu coração
O coração do corvo doente
De bico lâmina quente!
E de asa sem paixão
Rasgo a vida então…
Rasgo a minha, porém vossa!
Não sabeis…mas também não fazeis mossa
Pois essa vida que levais findará…
Ás garras do corvo que aqui está…
Por isso não tenteis contornar o inevitável…
Morrei como tudo morre…
Não lutes, oh saudável!
Desfruta e vê como teu sangue escorre…
E eu cá me resigno a pousar nas campas
Indo buscar onde é costume as dores tantas…
Na tigela de onde sorvo…
O olho do corvo
Lúcifer.



