sábado, 7 de fevereiro de 2015

Nigra Lux




Eu, a defunta luz, a escuridão viúva
Chama que arde negra consumida pela vida
Levo do mundo a misera existência
Roubo de cada um a sua essência
E queimo a pele a quem se aproxima

Eu, que ardo sem merecer
Que extingo sem padecer
Sou negro como a alma humana
Sou o clarividente da terra profana
E sou quem consome as searas douradas

O ouro, que não existe
Nos meus olhos raiados de sangue
De onde jorra prata sufocante
Mostra-me quem corre diletante
E me rio eu, por adorar a arte
Mas minha maneira é outra…
Que me mate
Esse gosto a sofrimento

Eu, que enegreço a luz
Que me escondo no capuz
Que nasço em cada morte
Sou a luz negra
Sou a luz forte
E nessa realidade
Se dá o meu aporte



Lúcifer.

sábado, 29 de dezembro de 2012

A Morte do Colibri




Hoje, os meus passos são silêncio
Neste dia falo e não penso...
Hoje, o sol nos olhos é fogo que queima
A alegria de um céu limpo é o vazio em mim...

Hoje, triste é o dia
Acabou-se a folia
Não existe alegria

Transpiro dor
E essa dor ecoa na sala onde estou
Hoje, minha muralha desmoronou
E eu..hoje acordei morto e ninguem notou

Hoje sou o momento em que se descobre uma mentira
Hoje sou a bala  de uma arma que a vida a um inocente tira
Hoje não sou nada, mas sou tudo...
Um tudo triste, um triste mudo

Hoje sou devaneio de um louco e sou o louco em si
Hoje sou o fumo que queima os pulmões
Sou a morte de um colibri



Filipe Consternado

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O olho do Corvo



Asas negras bico carvão

Linhas ácidas escreve…

Por entre a vida num rasgão

Num sussurro breve


Pena escura como o fado previsto

Se não o vêem cheirem a morte

Olhem seus olhos, vejam isto!


Cheira a putrefacção…

Mas não é morte…é meu coração

O coração do corvo doente

De bico lâmina quente!

E de asa sem paixão


Rasgo a vida então…

Rasgo a minha, porém vossa!

Não sabeis…mas também não fazeis mossa

Pois essa vida que levais findará…

Ás garras do corvo que aqui está…


Por isso não tenteis contornar o inevitável…

Morrei como tudo morre…

Não lutes, oh saudável!

Desfruta e vê como teu sangue escorre…


E eu cá me resigno a pousar nas campas

Indo buscar onde é costume as dores tantas…

Na tigela de onde sorvo…
O olho do corvo


Lúcifer.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Stress



Stress! Doce stress

Que enlouquece

Meu corpo estremece

Com tua louca “benesse"


Tu que apareces do nada e me atormentas…

Fodasse para ti e os males que alimentas!

Mas que merda é esta? Stress?!

Não é mais que esterco sem corpo que nos adormece…

E nos envenena contra nós mesmos e o mundo

E o mal é que só o sabemos no fundo

No escuro caralho do tudo


Stress…que nos reduz á baixaria!

Que nos remete á putaria!

Da louca reacção de nervoso puro

Sem mais verdade que o duro

Do carvoeiro mais escuro…


Oh! Stress…seu merdas impiedoso

Seu monstro horroroso!

Odeio-te por tudo o que provocas em mim!

E por isso me deixas tão mal assim…


Alberto Pinheiro.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ceifeiro



Morrem corpos…corpos de vida duvidosa

Levam a vida de meu pecado, vida belamente horrorosa

De alma dúbia enchem a terra do delicioso pecado

E sem harpa, mas ceifa escrevo seu alegre fado

Como se sem buraco se encontrassem

E no eterno pecado se refugiassem


Porque os seres desta profana terra tornam-se servos

Servindo a minha poesia como diabretes com nervos

E na alegre lugubridade da escrita da morte

Não se encontra tamanha sorte

Que se não a besta a subir dos infernos

A levar-vos depois de rasgar meus cadernos


Depois de cadernos rasgar-vos-á a pele morta

Que nunca esteve viva, mas na distracção absorta

Pensando penosamente viver

Mas não fazendo mais que morrer,

Sem antes a vida ganhar

Apesar de contrariamente no seu degredo se enterrar


Lucifer.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Eu



À capela…toco no piano a doce melodia…

A doce composição de esquizofrenia!

A minha mente labiríntica é fechada ao exterior…

A minha doença mística é loucura no interior


Sou só mais um louco que por deambular nas teclas se mata em versos

Sou o meu sacramento de pensamentos perversos…

Sim é a loucura destas vozes que me vazam o ser…

Se sou louco é por tentar matar as vozes e não puder!


As imagens que me esmagam os olhos me atormentam

Aquelas que não existem e á insanidade me tentam…

Assim com o avançar da melodia…morrerei

Aquela santa melodia que me morre na boca…mas não chorarei!


Saberá meu malfadado corpo a data em que padecerei?

Sabe certamente meu cérebro que me berra…eu o matarei!

São tormentas da vida…da minha vida! Da vida que me sustenta…

Sei que sou tormenta do mundo mas o mundo é minha tormenta!


Ao deslize da música nas teclas do piano perro

Acaba a musica mas não acaba a psicose que berro!

A malfadada enfermidade que me arde no crânio…

A essa se a apanho mato-a! Enveneno-a com urânio!


De certo não me conheceis…malfadados observadores…

Nem tendes…sois infiéis! Seus malcriados oradores!

Mas deixo a minha apresentação em ata …Sou Heitor

O alucinado que não se mata…do mundo do horror


Heitor

domingo, 9 de janeiro de 2011

Do martelo da revolução



Nascido do martelo da revolução
Revoluciono a foice que há em mim
Cravo o vermelho do meu coração
E no meu peito gravo a raiva de Lenine!

Da raiva me vem a força para a revolução
Meto na bandeira vermelha o meu coração
Devemos todos de sentir a amarga indignação
Do pouco digno capitalismo impingido de destruição

Oh grandes proletários!
Sinto a revolução nas minhas entranhas
Dos vossos males desnecessários!
Não perderão mais que as correntes ganhas

Não é mais que grande estupidez!
Guardarmo-nos nesse silêncio louco
Que apostam na sua total mudez…
Esses seres que de espírito têm pouco

Deixarei que a revolução em mim e em vocês saia á rua
Deixarei que o meu e o vosso espírito fale da raiva e revolta
Lutarei pois a revolução é nossa, não minha nem tua
Farei a justiça, não esperarei pois deus não me escolta

Que “encarne” em mim o espírito de Marx e Pepetela
Que venha a mim Che Guevara e Nelson Mandela
Para que como eles liberte o meu povo da opressão
Para ser mártir como ele mas conseguir a chave da libertação!

António Serna